A arbitragem do futebol mato-grossense enfrenta uma crise financeira que pode comprometer a realização do Campeonato Mato-grossense de 2027, previsto para começar em 9 de janeiro. Segundo apuração publicada pelo Gazeta Digital, a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) acumula mais de R$ 250 mil em pagamentos pendentes a árbitros e assistentes, incluindo taxas por partidas, diárias e despesas de deslocamento. O cenário já provocou a saída de cinco profissionais do quadro da entidade neste ano.

Quer ficar por dentro do esporte mato-grossense? Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão!

A situação preocupa pela proximidade do início da principal competição estadual e pela quantidade de profissionais disponíveis para atender às partidas. Além do campeonato da primeira divisão, a arbitragem também atua em torneios femininos, competições de base, Segunda Divisão e Copa FMF.

Dívida supera R$ 250 mil

De acordo com o levantamento do Gazeta Digital, as pendências envolvem mais de 250 jogos disputados ao longo da temporada. Sem receber os valores devidos, árbitros e assistentes também enfrentam dificuldades para custear viagens entre municípios mato-grossenses.

O modelo adotado prevê o pagamento de valores por quilômetro rodado aos profissionais que utilizam veículos próprios. Segundo a reportagem, os árbitros costumavam antecipar os custos dos deslocamentos para depois solicitar o reembolso à federação. Os ressarcimentos, porém, não estariam sendo realizados regularmente.

A publicação informa que o valor por quilômetro, que chegou a R$ 1,80 para um profissional viajando sozinho, foi reduzido para R$ 1 em julho deste ano. Quando há mais ocupantes no veículo, a taxa informada é de R$ 1,50 por quilômetro.

A dificuldade financeira se soma a outros problemas enfrentados pelos profissionais, como a ausência de vínculo empregatício com a federação e as condições de trabalho em diferentes estádios do estado.

Quer ficar por dentro do esporte mato-grossense? Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão!

Cinco já deixaram o quadro de arbitragem

A insatisfação com os atrasos também tem provocado baixas na arbitragem estadual. Conforme o Gazeta Digital, cinco profissionais solicitaram desligamento do quadro da FMF em 2026: Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.

A entidade conta com 26 árbitros e 19 assistentes, segundo os números divulgados pela reportagem. Esse grupo atende às diferentes competições organizadas pela federação, o que aumenta a preocupação com a disponibilidade de profissionais para a próxima temporada.

A continuidade dos atrasos pode agravar o cenário, especialmente diante da necessidade de organizar as escalas para o estadual de 2027. Até o momento, as informações publicadas apontam para o risco de comprometimento do calendário, mas não confirmam uma paralisação da competição.

Taxas e diárias previstas

Os valores pagos pela arbitragem foram estabelecidos pela Portaria nº 025/2026, assinada pelo presidente da FMF, Diogo Pécora, em 23 de julho deste ano, conforme informado pelo Gazeta Digital.

Pelo documento, a taxa por partida é de R$ 300 para o árbitro principal, R$ 180 para cada assistente, R$ 150 para o quarto árbitro e R$ 100 para o supervisor de jogo. Somados, os valores chegam a R$ 730 por partida. As diárias para alimentação e hospedagem variam de R$ 100 a R$ 390, conforme a distância do deslocamento.

Quer ficar por dentro do esporte mato-grossense? Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão!

O desafio da federação é regularizar as pendências e garantir condições para que os profissionais continuem atuando nas competições estaduais. Com o Mato-grossense previsto para janeiro, a situação financeira da arbitragem se torna um dos pontos de atenção para o planejamento da próxima temporada.

Veja também: Cristiano Dresch rebate União: “Não existe tratamento diferenciado nenhum”