O Cuiabá pediu à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à CBF, que o Corinthians fique impedido de registrar jogadores por dois anos e perca o Certificado de Clube Formador após novos atrasos no pagamento de dívidas. Em manifestação apresentada na terça-feira (20), o clube mato-grossense também solicitou o cancelamento do plano coletivo de quitação de débitos do time paulista, alegando que o acordo perdeu sua finalidade. A disputa ocorre enquanto o Dourado tenta receber cerca de R$ 45 milhões de outros clubes brasileiros e cobra mais rigor na aplicação das regras financeiras do futebol.

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O pedido contra o Corinthians foi motivado pelo descumprimento do cronograma de pagamentos homologado pela CNRD, que inclui valores devidos ao Cuiabá pela negociação do volante Raniele. O clube paulista deixou de pagar duas parcelas consecutivas do acordo, sendo a mais recente com vencimento em outubro. A prestação mais recente era estimada em R$ 8 milhões, enquanto o total das duas parcelas em aberto chega a aproximadamente R$ 16 milhões.

A diretoria do Cuiabá considera insuficientes as medidas adotadas até agora. O Corinthians já está sujeito a uma proibição de registrar novos atletas por seis meses em razão de um atraso anterior, mas o Dourado argumenta que a punição não impediu novos descumprimentos. O clube quer ampliar a sanção para dois anos, dentro do limite previsto no regulamento da CNRD, e pede o cancelamento do certificado de formação de atletas concedido pela CBF.

Cuiabá considera plano coletivo fracassado

O plano coletivo de pagamento do Corinthians foi homologado em abril de 2025 e prevê a quitação de aproximadamente R$ 76 milhões em dívidas com credores ao longo de seis anos. O modelo estabelece pagamentos trimestrais e foi criado para organizar os compromissos financeiros do clube paulista.

Para Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, a sequência de atrasos demonstra que o mecanismo não está funcionando como deveria. O dirigente também critica a ausência de juros no plano, que, na avaliação dele, reduz as consequências financeiras para os devedores.

“Para mim o plano fracassou. Não atingiu o objetivo. Parcelas atrasadas, plano de pagamento sem juros. É um plano fracassado”, afirmou Dresch em entrevista à ESPN.

Além das sanções esportivas, o Cuiabá solicita que o processo original referente à dívida pela contratação de Raniele volte a tramitar nas condições contratuais anteriores ao plano coletivo. Com isso, o clube busca restabelecer a cobrança de encargos previstos no contrato, incluindo correção monetária, juros por atraso e eventuais multas. A CNRD ainda precisa analisar os pedidos apresentados pelo Dourado.

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Osmar Stabile, presidente do Corinthians – Foto: Danilo Fernandes

Em resposta, o Corinthians informou que está ciente da situação e trabalha para regularizar os pagamentos. O clube paulista afirmou que trata o assunto como prioridade dentro do processo de reestruturação financeira conduzido pela atual diretoria.

Transfer ban do Cuiabá foi encerrado após pagamento de R$ 5,5 milhões

A cobrança contra o Corinthians ocorre pouco depois de o próprio Cuiabá resolver uma pendência que o impedia de registrar jogadores. Em 15 de outubro, o Dourado quitou aproximadamente R$ 5,5 milhões referentes à condenação imposta pela FIFA no caso do técnico Petit e de sua comissão técnica, encerrando o transfer ban.

Segundo o clube, o pagamento foi realizado com recursos próprios e apoio dos acionistas, com impacto significativo no orçamento de 2026. A diretoria afirmou que o valor comprometeu investimentos que poderiam ser destinados ao elenco profissional, às categorias de base e à estrutura da instituição.

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Petit quando comandava o Cuiabá – Foto: AssCom Dourado

O Cuiabá não questionou a obrigação de cumprir a decisão, mas usou o episódio para cobrar tratamento semelhante aos clubes que possuem dívidas com ele. Em nota oficial, a instituição pediu que a CNRD e a CBF adotem medidas mais efetivas para garantir o pagamento dos valores pendentes, argumentando que os clubes credores também sofrem consequências financeiras enquanto aguardam a regularização dos débitos.

A diretoria estima ter cerca de R$ 45 milhões a receber de outras equipes brasileiras por negociações de atletas já realizadas.

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Cobrança ao Santos provocou troca de acusações

Entre os principais devedores apontados pelo Cuiabá está o Santos, que possui uma dívida de R$ 18,6 milhões reconhecida pela CNRD pela negociação do zagueiro Joaquim. O jogador foi contratado pelo clube paulista em 2023, e a pendência está relacionada aos valores que o Santos deveria repassar ao Dourado.

Em setembro, Cristiano Dresch criticou publicamente a inadimplência no futebol brasileiro e defendeu que clubes que deixam de pagar seus compromissos também sofram punições esportivas, como a perda de pontos. O presidente questionou ainda a possibilidade de equipes continuarem contratando jogadores enquanto mantêm débitos em aberto.

Reprodução/TNT Sports

As declarações provocaram uma reação de Marcelo Teixeira, presidente do Santos. Em entrevista ao canal De Olho no Peixe, o dirigente chamou Dresch de “desqualificado” e “irresponsável”, além de relacionar a situação do Cuiabá na Série B às críticas feitas pelo mandatário mato-grossense.

O Cuiabá respondeu por meio de nota, reafirmou a cobrança dos R$ 18,6 milhões e destacou que havia acabado de quitar a condenação no caso Petit. O clube também contestou a tentativa de associar a situação esportiva de uma equipe à legitimidade de suas cobranças financeiras.

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Avaí também foi condenado por dívida com o Dourado

A lista de pendências ganhou mais um caso em outubro. O Avaí foi condenado pela CNRD a pagar R$ 317 mil reais ao Cuiabá por parcelas não quitadas do empréstimo do atacante Emerson Ramon, que defendeu o clube catarinense entre abril e dezembro de 2025. A decisão também estabeleceu o pagamento de R$ 15.602,10 em honorários advocatícios, elevando o total da condenação para R$ 332 mil reais.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 70 mil pelo empréstimo, mas o Avaí deixou de quitar integralmente as parcelas dos últimos três meses do vínculo. O clube catarinense recebeu prazo para recorrer da decisão.

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Emerson Ramon com a camisa do Avaí – Foto: Divulgação/Avaí

O caso reforça a cobrança do Cuiabá por maior agilidade na resolução de processos financeiros entre clubes. Para a diretoria mato-grossense, a demora na recuperação dos créditos afeta o planejamento e a capacidade de investimento, enquanto as equipes devedoras continuam atuando no mercado.

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Veja os clubes com dívidas apontadas pelo Cuiabá

Os valores individualizados divulgados anteriormente pelo presidente Cristiano Dresch somam aproximadamente R$ 46 milhões, sem incluir o caso do Avaí. A relação abaixo reúne as estimativas divulgadas para as negociações e o valor específico da condenação catarinense.

  • Santos: cerca de R$ 18,6 milhões pela negociação do zagueiro Joaquim, em 2023.
  • Corinthians: aproximadamente R$ 17 milhões pela contratação do volante Raniele, em 2024. O caso está incluído no plano coletivo de pagamento da CNRD, com parcelas em atraso.
  • Sport: cerca de R$ 6 milhões pela contratação do lateral-direito Matheus Alexandre, em 2025.
  • Atlético-MG: aproximadamente R$ 4,6 milhões pela transferência do atacante Deyverson, em 2024.
  • Grêmio: cerca de R$ 850 mil relacionados à negociação do volante Pepê, em 2022.
  • Avaí: R$ 317,2 mil referentes à dívida pelo empréstimo de Emerson Ramon, além de R$ 15,6 mil em honorários advocatícios.

A soma desses valores chega a aproximadamente R$ 46,78 milhões, mas não deve ser confundida com o saldo oficial atualizado. O Cuiabá informou posteriormente que tem cerca de R$ 45 milhões a receber, sem divulgar uma composição detalhada que explique a diferença entre a estimativa geral e os débitos individualizados.

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