O Campeonato Mato-grossense Feminino terá um confronto especial nesta quarta-feira (7). Às 17h, Ação e CEOV se enfrentam no Estádio Dito Souza, em Várzea Grande, pela terceira rodada da competição, em uma partida que colocará pai e filho em lados opostos pela primeira vez. Gabriel Olandette, de 22 anos, comanda o Ação, enquanto Wellington Souza, de 39, estará à frente do CEOV. Mais do que os três pontos, o encontro representa um momento marcante na trajetória dos dois treinadores, que já trabalharam juntos e mantêm no futebol uma relação que começou muito antes da chegada de Gabriel à função de técnico.

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Para Gabriel, a oportunidade de enfrentar o próprio pai surgiu mais cedo do que imaginava. O treinador de 22 anos está em seu primeiro ano de carreira e esperava que um encontro desse tipo acontecesse mais adiante, quando os caminhos profissionais dos dois se separassem.

“É muito importante para mim, muito marcante para minha carreira. Eu não esperava que fosse algo tão rápido, tão repentino, que a gente já se enfrentasse num primeiro ano de carreira da minha parte”, contou Gabriel. “Mas realmente muito importante, muito marcante e um momento muito feliz para mim pessoalmente, como Gabriel pessoa e filho, mas também como Gabriel treinador.”

Apesar da rivalidade durante os 90 minutos, a relação entre os dois continua próxima. Segundo Gabriel, as conversas sobre futebol fazem parte da rotina da família, independentemente de estarem ou não trabalhando na mesma comissão técnica. Agora em clubes diferentes, eles continuam trocando impressões sobre as equipes, adversários e situações do campeonato. “Nós conversamos bastante sobre todos os jogos, na verdade. A gente sempre teve esse costume, independentemente de ir trabalhando juntos ou não. Agora que estamos trabalhando em times diferentes, fica um pouco menos essa conversa, mas a gente sempre conversa sobre a situação do campeonato, sobre os outros times e sobre o time um do outro”, explicou.

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Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O período em que trabalharam juntos também deixou marcas no estilo de Gabriel. O treinador conta que pessoas que passaram pelo Ação e hoje estão com Wellington no CEOV costumam apontar semelhanças entre os dois, principalmente nos gestos e na maneira de se comunicar à beira do campo. “As pessoas brincam muito, as meninas que trabalharam conosco, principalmente as que eram do Ação e hoje estão com ele no grupo do Operário, falam que nos trejeitos, no jeito dentro de campo, na forma como fala, é muito parecido”, disse Gabriel.

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Mais do que aspectos técnicos, porém, ele destaca um ensinamento que leva do pai para a própria carreira: a importância dos princípios que orientam o trabalho.

“A principal lição e o principal ensinamento que eu levo comigo é que nem sempre a vitória é o mais importante. Mas carregar os seus princípios e segui-los e principalmente transformar a vida das pessoas ao seu redor para algo melhor, essa sim é a principal lição que eu carrego.”

Wellington fala em orgulho do filho

Do outro lado do campo, Wellington Souza também vive uma experiência inédita. Será a primeira vez que ele enfrentará Gabriel como treinador adversário. Para o pai, a sensação é diferente, mas o sentimento que vem antes da disputa é de orgulho pela escolha profissional do filho.

“É uma sensação diferente, especial. Ainda não aconteceu, vai ser a primeira vez amanhã, mas é uma forma diferente de enxergar o jogo, por ter meu filho ali me enfrentando. A sensação que fica em primeiro lugar antes do jogo, da importância do jogo, é o orgulho”, afirmou Wellington.

Os dois também conversaram sobre o significado do encontro, mas evitaram discutir questões táticas ou estratégias para a partida. “A gente sempre conversa muito sobre tudo. Acho que sobre o jogo em si não tem muito o que conversar, porque a gente já se conhece muito pelo tempo que a gente vem trabalhando junto”, explicou Wellington. “A gente conversa um pouquinho sobre o quanto é especial essa data para a gente.”

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Wellington também reconhece no filho valores que foram construídos durante o período em que trabalharam juntos. Para ele, mais do que reproduzir características técnicas, Gabriel leva consigo princípios relacionados à forma de trabalhar e de lidar com as atletas.

“Eu acredito mais que existam valores e princípios que, de alguma forma, eu tenho conseguido transmitir para ele nesse período que ele trabalhou comigo, principalmente como treinador”, afirmou.

O confronto também marca o reencontro de Wellington com o Ação. O treinador deixou o clube recentemente, depois de conduzir a equipe em uma campanha de destaque no Campeonato Brasileiro Feminino A2. O Tuiuiú chegou às quartas de final da competição e foi eliminado pelo Minas Brasília.

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Foto: Kelvinho Fotos

Duelo coloca campanhas diferentes frente a frente

Dentro de campo, Ação e CEOV chegam ao confronto em momentos distintos. Será o terceiro jogo do Ação no Estadual. A equipe perdeu para o Mixto por 2 a 0 na estreia e reagiu na rodada seguinte com uma goleada por 5 a 1 sobre o S.E.C. Já o CEOV, por outro lado, disputou apenas uma partida até agora. A equipe estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Mixto e busca manter o bom início no campeonato.

Gabriel espera um confronto complicado e destaca o elenco adversário, que recebeu reforços para a competição. “Um adversário extremamente qualificado. Conheço a maioria das meninas que ali estão por trabalhar com elas neste ano ou no ano passado. E contratou bem, se reforçou bem, trouxe meninas de qualidade ali, meninas de A1, meninas de A2”, avaliou.

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Para Wellington, o objetivo é aproveitar a segunda partida da equipe para ganhar ritmo e seguir pontuando no campeonato. “A expectativa é continuar pontuando. Sabendo que vamos enfrentar uma equipe que vem de um ritmo de jogo muito melhor que o nosso. Talvez isso faça uma diferença. Mas a expectativa é que a gente também consiga, já numa segunda partida, embalar no campeonato”, afirmou.

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