Aos 18 anos, o atleta cuiabano Rômulo Alexandre Basso Filho embarca nesta terça-feira (18) para os Estados Unidos, onde vai iniciar uma nova etapa da carreira esportiva e acadêmica pela Cumberland University, em Lebanon, no Tennessee. Durante os próximos quatro anos, o jovem vai conciliar os estudos com treinamentos e competições de atletismo, dando sequência a uma trajetória construída em Cuiabá, marcada por medalhas, períodos de lesão e apoio de projetos esportivos de Mato Grosso.
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Rômulo é integrante do Instituto Águias e recebe apoio do projeto Olimpus-MT, do Governo de Mato Grosso. A oportunidade de estudar e competir no esporte universitário norte-americano vinha sendo planejada há mais de um ano e representa a realização de um objetivo cultivado desde a infância.
Retorno às pistas após lesão
A chegada aos Estados Unidos acontece depois de um período de recuperação. Uma lesão interrompeu a temporada de 2025 e obrigou Rômulo a parar os treinamentos no fim daquele ano para realizar o tratamento. O retorno aconteceu em 2026, quando o atleta voltou a competir e rapidamente alcançou resultados importantes. Na Copa Brasil de Meio-Fundo e Fundo Sub-20, conquistou duas medalhas de prata, nos 3.000 e nos 5.000 metros. Em julho, novamente em Cuiabá, ficou com a prata nos 5.000 metros do Campeonato Brasileiro Sub-20.
A medalha teve um peso especial diante da preparação limitada para a competição. Rômulo contou que conseguiu realizar uma preparação mais intensa durante apenas uma semana e meia antes da disputa, mas entrou na prova confiante mesmo após não alcançar o resultado esperado nos 3.000 metros.
O desafio de estudar e competir
A oportunidade na Cumberland University surgiu durante o processo de busca por universidades e treinadores nos Estados Unidos. Com auxílio de uma agência especializada, Rômulo e sua equipe começaram a apresentar o perfil do atleta a instituições norte-americanas até encontrarem a proposta da universidade do Tennessee. A rotina no país será dividida entre aulas, treinamentos e competições. O desempenho acadêmico também terá relação direta com a participação esportiva, o que exigirá do cuiabano uma adaptação à rotina universitária.
“Será uma rotina puxada, porque nos Estados Unidos eles priorizam muito os estudos. Se eu não tiver um bom desempenho acadêmico, não poderei competir. Vou tentar me adaptar o mais rápido possível, evoluir nos estudos e também no atletismo”, afirmou.
Para Rômulo, além do desenvolvimento esportivo, a mudança representa a oportunidade de levar o nome de Cuiabá e Mato Grosso para as competições nos Estados Unidos. Entre os objetivos para os próximos anos está a participação em competições internacionais e, no futuro, a tentativa de chegar aos Jogos Olímpicos.
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Do futebol ao atletismo
Antes de se dedicar às provas de pista, Rômulo teve o futebol como primeiro caminho no esporte. Ele atuava como lateral-esquerdo e chegou a ficar próximo de buscar uma oportunidade no Fluminense, em 2020. Os planos, porém, foram afetados pela pandemia e por problemas físicos. Em 2022, quando se preparava para se apresentar ao Vasco, sofreu uma fratura no quadril e permaneceu aproximadamente um ano afastado. O período contribuiu para a mudança de trajetória esportiva e para a aproximação definitiva com o atletismo.
A relação com o treinador Cláudio Mendes começou justamente em uma corrida de rua. Mesmo sem ter idade para disputar aquela prova, Rômulo terminou entre os primeiros colocados na classificação geral. O desempenho chamou a atenção de Cláudio, que procurou a família e apresentou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Águias. A partir daquele momento, treinador e atleta passaram a construir uma relação que ultrapassou o ambiente das competições. Cláudio acompanhou a evolução de Rômulo e participou da formação que agora leva o cuiabano ao esporte universitário norte-americano.
“Ele é disciplinado, talentoso, focado e sabe onde quer chegar. Essa oportunidade será um marco não apenas na vida dele e da família, mas também poderá abrir portas para outros atletas de Mato Grosso e do Brasil”, avaliou o treinador.
Disciplina e apoio da família
A preparação para o alto rendimento exigiu mudanças na rotina do atleta. Treinos, alimentação, preparação física e descanso passaram a ocupar espaço central no dia a dia, enquanto momentos com amigos e familiares precisaram ser reduzidos.
“Para ter uma alta performance no atletismo, é preciso abdicar de muitas coisas. Tive que fazer várias escolhas para manter o meu desempenho”, explicou Rômulo.
O apoio familiar também foi importante durante a trajetória, especialmente nos períodos em que o atleta precisou lidar com lesões. Pais, primos e outros familiares acompanharam competições e deram suporte durante as diferentes etapas da carreira. O Instituto Águias também aparece como parte importante dessa formação. A entidade trabalha com iniciação esportiva, qualidade de vida e alto rendimento, atendendo crianças a partir dos seis anos e reunindo atletas que já participaram de campeonatos brasileiros e até da Seleção Brasileira.
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Sonho olímpico continua
Antes de deixar Cuiabá, Rômulo também falou sobre o significado de começar a vida universitária nos Estados Unidos. Para o atleta, a mudança representa uma mistura de expectativa pela nova fase e saudade da família e dos amigos que ficam no Brasil.
“Passa um filme na cabeça, porque até um tempo atrás eu nunca imaginaria que estaria indo para lá fazer uma faculdade e também algo que gosto e amo. É triste deixar a família e os amigos, mas, ao mesmo tempo, é uma alegria. Estou vivendo um sonho que tenho desde criança”, contou.
Aos 18 anos, Rômulo agora deixa as pistas cuiabanas para iniciar uma experiência internacional, mantendo o objetivo de crescer no atletismo e buscar, no futuro, uma oportunidade de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.
Fonte: Esporte MT – Marcelo Amorim
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