O Corinthians acumula quatro transfer bans ativos que bloqueiam o registro de novos atletas nacional e internacionalmente. O embate mais recente envolve o Cuiabá, maior credor individual do plano de recuperação financeira coletivo do clube paulista.
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O Corinthians atrasou o pagamento da 5ª parcela do acordo firmado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), estimada em R$ 8 milhões, e foi punido com um transfer ban nacional por seis meses. O clube paulista protocolou uma defesa alegando queda de arrecadação por causa da paralisação para a Copa do Mundo e pediu que a punição seja suspensa.
O pedido incluiu o pagamento conjunto da parcela atrasada de julho com a próxima parcela de outubro até 31 de agosto. A intenção é reabrir espaço para registrar reforços antes do fechamento da janela brasileira, em 11 de setembro.
Reação do Cuiabá
A diretoria do Cuiabá protocolou um documento exigindo que a CNRD mantenha a punição irrestrita. O clube mato-grossense rebateu a tentativa do Corinthians de pintar a inadimplência como um ato de “boa-fé”.
“Manter a sanção enquanto não sobrevier o efetivo pagamento não causa qualquer prejuízo indevido ao Requerente. Basta que o devedor pague o que deve, na forma e no prazo a que se obrigou, para que a questão se resolva. O que não se admite é a inversão da ordem natural das coisas, com a liberação do devedor antes e independentemente do adimplemento”, afirmou o clube em documento.
Já em 2025, em entrevista a ESPN, o presidente Cristiano Dresch comentava publicamente que o calote recorrente de clubes devedores, sendo um dos principais o Corinthians, comprometia diretamente o fluxo de caixa do Dourado.
O plano de pagamento na CNRD
O Corinthians firmou um plano coletivo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para quitar R$ 76 milhões em dívidas com diversos credores, entre clubes, empresários e atletas. O parcelamento foi estruturado com vencimentos trimestrais ao longo de seis anos. Do valor de cada parcela paga, 80% é destinado ao credor principal do momento e 20% ao pagamento de honorários advocatícios.
O Cuiabá é o maior credor individual do acordo, com pouco mais de R$ 18 milhões a receber. A dívida tem origem na contratação do volante Raniele. Até o momento, o Corinthians já quitou cerca de R$ 28 milhões do montante total previsto no plano.
A relação de credores inclui ainda empresários como André Cury, Paulo Pitombeira e Marcelo Robalinho. Entre os ex-jogadores, o maior valor é devido ao ex-meia Jadson, que tem aproximadamente R$ 13 milhões a receber.
Também há débitos com atletas, como o zagueiro Fabián Balbuena (R$ 4,4 milhões) e o atacante Roger Guedes, cujo valor não foi detalhado no trecho informado.
Além disso, o Corinthians possui pendências com clubes, como o Grêmio Osasco (R$ 1,6 milhão) e a Sociedade Esportiva Palmeirinha (R$ 48 mil).
Os quatro transfer bans do Corinthians
O Corinthians acumula atualmente quatro punições simultâneas que impedem o registro de novos jogadores:
1. CNRD – atraso no pagamento do plano coletivo de credores, no valor de R$ 76 milhões.
2. Fifa – dívida de US$ 1,5 milhão com o Philadelphia Union pela contratação de José Martínez, que resultou em bloqueio de três janelas de transferências.

3. Fifa – multa disciplinar de US$ 225 mil por descumprimento de acordos.
4. Fifa – dívida de € 1 milhão com o Midtjylland pela contratação de Charles, ainda pendente de aplicação da punição.

Além dessas pendências, o Corinthians também aguarda julgamento na Corte Arbitral do Esporte (CAS) sobre uma dívida de US$ 2,35 milhões com o Grupo City, referente à extensão do empréstimo de Talles Magno.
Para voltar a contratar jogadores, o clube precisaria desembolsar mais de R$ 22 milhões apenas para quitar as pendências que atualmente geram os bloqueios na Fifa.
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