O Brasil abriga, desde 2005, um dos maiores programas de incentivo direto ao esporte de alto rendimento do mundo: o Bolsa Atleta, política pública federal que transformou a carreira de milhares de competidores ao garantir suporte financeiro contínuo a atletas com resultados expressivos em competições nacionais e internacionais.
Criado para permitir que esportistas se dediquem integralmente ao treinamento e às disputas locais, continentais, mundiais, olímpicas e paralímpicas, o programa tornou-se referência global pela abrangência e pelo investimento. Desde 2012, após a Lei 12.395/11, também passou a permitir que atletas consagrados acumulassem a bolsa com outros patrocínios, tornando-se uma fonte complementar essencial para quem disputa o alto rendimento.
No topo desse modelo está a Categoria Pódio, lançada em 2013 e direcionada exclusivamente a atletas entre os 20 primeiros do ranking mundial de suas provas. Ao longo de pouco mais de uma década, já foram 815 atletas beneficiados, totalizando 2.605 bolsas e cerca de R$ 347 milhões investidos, um recorte que demonstra o compromisso do país com a preparação de competidores com potencial olímpico e paralímpico.
Esse movimento nacional de incentivo serviu como base e inspiração para que estados estruturassem seus próprios mecanismos de formação esportiva, e foi nesse contexto que Mato Grosso criou um dos projetos mais completos do país: o Olimpus MT, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Mais do que replicar o modelo federal, o programa estadual avançou sobre um ponto fundamental: a formação inicial, contemplando desde crianças de nove anos até atletas experientes com projeção internacional.
Em 2022 por exemplo, o Olimpus destinou R$ 5,04 milhões para a concessão de 615 bolsas distribuídas em cinco categorias que abrangem do infantil ao alto rendimento. A recém-criada Atleta Infantil beneficiou 150 crianças de 9 a 12 anos com bolsas de R$ 200, reforçando a detecção precoce de talentos.
Já as categorias Atleta Base e Atleta Estudantil, com auxílios de R$ 400 e R$ 800, contemplaram jovens de 12 a 17 anos, fortalecendo a continuidade esportiva na fase mais crítica da formação.
Além da base, o programa também fomenta o alto rendimento com as categorias Atleta Nacional, com 150 vagas e bolsas de R$ 1,2 mil, e Atleta Internacional, com 15 atletas beneficiados com R$ 2 mil mensais. Com políticas públicas que fortalecem desde a iniciação esportiva até o nível internacional, Mato Grosso se destaca no cenário nacional ao formar, manter e projetar novos talentos.
Do cenário nacional ao impacto direto em Mato Grosso
Em Mato Grosso, o Olimpus consolidou-se como principal mecanismo estadual de fomento ao esporte, reunindo Bolsas para atletas e técnicos e garantindo estrutura aos esportistas desde a base até o alto rendimento. A edição de 2025, por exemplo, abriu edital com mais de R$ 5 milhões para concessão de auxílios mensais a atletas de base e de elite.

O resultado mais recente do Bolsa Atleta contemplou 479 atletas em diversas categorias: infantil, base, estudantil, nacional e internacional. Nas categorias de formação, infantil, base e estudantil, são atendidos jovens que iniciam no esporte; nas categorias nacional e internacional, esportistas de alto rendimento recebem bolsas mais elevadas.
As modalidades beneficiadas são as mais diversas: do atletismo à ginástica rítmica, do judô ao basquete, do futsal ao tênis de mesa, incluindo modalidades paralímpicas e esportes coletivos e individuais.
Mas o apoio do Olímpus vai além dos atletas: em 2025, o programa também beneficiou cerca de 99 técnicos de várias modalidades, com bolsas mensais que variam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, conforme a categoria. Esse apoio ao corpo técnico tem sido apontado como fundamental para profissionalizar o esporte no Estado, garantir a continuidade dos treinos e elevar o nível das equipes.
O secretário adjunto de Esporte e Lazer de Mato Grosso, Roberto Campos Corrêa Júnior (Beto Corrêa), avaliou que as políticas públicas estaduais têm provocado “transformações expressivas” no cenário esportivo mato-grossense. Segundo ele, programas como Bolsa Atleta, Bolsa Técnico e o Projeto Olimpus vêm consolidando um ciclo de desenvolvimento que inclui formação, permanência de talentos e resultados em competições nacionais e internacionais.
O secretário destaca que Mato Grosso está entre os poucos estados que possuem política específica para técnicos. “A Bolsa Técnico reconhece e valoriza o profissional responsável por preparar e desenvolver atletas. Ao apoiar quem tem experiência e busca aprimoramento contínuo, fortalecemos a base técnica do esporte e criamos condições para um desenvolvimento mais consistente.”
De acordo com Beto Corrêa, o conjunto de ações implementadas pelo governo tem fortalecido todas as etapas da formação esportiva no Estado. Ele lembra que esse movimento pode ser visto no número recorde de atletas e técnicos mato-grossenses que representaram o Brasil nas últimas Olimpíadas.
“As políticas públicas estaduais implementadas nos últimos anos têm gerado impactos expressivos no desenvolvimento do esporte em Mato Grosso. Ao combinar apoio financeiro direto a atletas e técnicos, aliado às premiações para convocados e medalhistas, conjunto de ações que compõem o Projeto Olimpus, o Estado conseguiu profissionalizar trajetórias, ampliar a retenção de talentos e dar visibilidade às modalidades que representam Mato Grosso.”
Desde 2020, com a reformulação e expansão do Olímpus, o investimento estadual nas bolsas cresceu de forma expressiva, e o número de atletas e técnicos beneficiados também aumentou.
Esse ecossistema, que contempla base, formação, alto rendimento e estrutura técnica demonstra que Mato Grosso não busca apenas resultados pontuais, mas um desenvolvimento contínuo do esporte: garantindo a quem começa cedo e a quem já compete no mais alto nível as mesmas oportunidades de investimento, treinamento e visibilidade.
E é dentro dessa estrutura consolidada que surgem histórias que unem dedicação, oportunidade e transformação, histórias que mostram como o investimento certo, no momento certo, podem levar um estado inteiro do sonho ao pódio.
Do sonho ao pódio
O fortalecimento do esporte em Mato Grosso também se revela nas histórias de quem transformou a oportunidade em resultado real. Entre esses nomes, está Maria Aparecida Souza de Lima, treinadora bolsista do Estado e ícone do atletismo mato-grossense. Hoje técnica de alto rendimento, ela se tornou a única treinadora mulher do Estado a levar uma atleta às Olimpíadas, feito que reforça o impacto direto do Bolsa Atleta e do Bolsa Técnico na construção de carreiras.
“Eu fui a primeira mato-grossense a participar de uma Olimpíada e, graças ao incentivo do Bolsa Atleta e Bolsa Treinador, conseguimos levar mais uma representante. Os projetos do Estado têm alcançado grandes objetivos. Esse suporte tem contribuído muito para que atletas de alto rendimento tenham oportunidade de competir na Europa, como foi o caso da minha atleta, a Lissandra Campos”, afirma Maria.
E foi justamente nessa engrenagem de apoio público que Lissandra Campos chegou aos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Aos 22 anos na época, ela levou o nome de Mato Grosso ao maior palco esportivo do mundo, atingindo 6,02 m no salto em distância, marca que a colocou na 31ª posição geral. A experiência, somada ao fato de ser detentora do recorde sul-americano sub-23, consolidou seu nome entre as principais promessas do atletismo brasileiro.

O feito também quebrou um longo intervalo: Mato Grosso voltou a ter uma mulher no atletismo olímpico após 28 anos. A última havia sido justamente Maria Aparecida, em Atlanta 1996. Mestra e discípula dividiram o mesmo sonho, agora, em lados diferentes da pista, e transformaram o momento em orgulho coletivo.
Lissandra natural de Nossa Senhora do Livramento já trabalha focada no futuro. O próximo objetivo é claro: chegar ao pódio em 2028. Motivada, estruturada pelos programas estaduais e guiada por quem já abriu caminho lá atrás, a atleta simboliza exatamente o que o Olimpus MT busca: transformar potencial em conquista.

A influência do esporte na vida da treinadora Maria Aparecida vai além da pista. Ela própria reforça que o impacto do Bolsa Atleta e do Bolsa Técnico não transformou apenas o trabalho como treinadora, mas também a trajetória do próprio filho, Davi Souza de Lima, uma das maiores revelações do atletismo brasileiro na atualidade.
Davi encerrou a temporada com uma performance histórica: bicampeão dos Jogos da Juventude CAIXA Brasília 2025, registrando 15,79 metros no salto triplo, novo recorde da competição e marca que o colocou no topo do ranking mundial sub-18. O salto superou seu próprio recorde pessoal, 15,62 metros, obtido apenas uma semana antes.
Além do talento, Davi carrega um sobrenome que já faz parte da história olímpica brasileira. Filho de Vicente Lenílson, velocista medalhista de prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008, e de Maria Aparecida, ex-triplista que representou o Brasil em Atlanta 1996. Treinado pelos pais, especialmente pela mãe, referência nacional na prova, o jovem segue consolidando sua própria identidade esportiva.
Sobre quem o inspirou a seguir no esporte, o jovem afirma que o atletismo surgiu naturalmente em sua vida. “Descobri o atletismo por influência familiar. Foram as mesmas pessoas que me apresentaram o esporte que me motivaram e inspiraram a seguir nesse caminho. Mas nunca houve obrigação. Sempre de forma muito respeitosa e tranquila”, explica. A relação saudável com a modalidade permitiu que ele enxergasse no atletismo mais do que um legado dos pais; viu ali a possibilidade de construir a própria história.
Para Davi, o esporte também é espaço de espiritualidade e formação humana. “Decidi seguir nessa vida esportiva para viver experiências maravilhosas, passar por situações que me tornarão alguém melhor e principalmente para disseminar o Evangelho de Jesus Cristo da forma que eu puder e onde estiver”, diz o atleta, que leva para a pista não apenas ambição esportiva, mas valores que moldam sua identidade.
Quando alinha os pés na tábua de impulsão, o jovem carrega sonhos que ultrapassam a busca por medalhas. “Sonho em tornar-me uma referência de humildade, serviço, educação e espiritualidade dentro das pistas, mas ainda assim conquistando grandes resultados e vivendo momentos incríveis”, afirma. Em cada competição, Davi busca não apenas marcas e títulos, mas a possibilidade de expressar, através do esporte, aquilo que acredita.

Para Davi, o apoio financeiro do Bolsa Atleta estadual foi determinante não apenas para competir, mas para amadurecer dentro e fora das pistas. “Desde que comecei a receber o Bolsa Atleta me senti muito agraciado. O projeto me permite investir na minha carreira e também na minha vida pessoal. Passei a me sentir mais independente e a entender o atletismo como meu trabalho”, afirma.
Entre as conquistas, ele destaca a medalha de ouro e o recorde nos Jogos da Juventude de 2025 como o momento mais importante da carreira até agora, resultado que coroou a liderança mundial sub-18. A rotina intensa, porém, é um dos maiores desafios, especialmente por precisar conciliar vida escolar, desenvolvimento profissional e prática esportiva de alto rendimento.
“Reconheço que a rotina cheia é meu maior desafio. Preciso construir uma vida que busca sempre adorar e servir a Deus, manter um cenário acadêmico de qualidade e desenvolver minha carreira profissional. Mesmo que pareça difícil em alguns momentos, são essas condições que me ajudam a ser mais maduro e responsável”, relata.
Do convívio familiar à pista, das referências olímpicas à estrutura oferecida pelo Estado, Davi simboliza como o investimento público no esporte pode transformar realidade, e preparar uma nova geração de atletas capazes de manter Mato Grosso no cenário internacional.
Com talento, disciplina e o suporte de programas como o Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico, Mato Grosso presencia o surgimento de uma nova geração de atletas que unem desempenho, propósito e representatividade, e Davi, com apenas 17 anos, já caminha para se tornar um dos principais nomes desse movimento.
O desempenho de Davi colocou o jovem entre os principais talentos do país. Ele encerrou a temporada como vice-líder sub-18 do salto triplo no ranking mundial, acumulando conquistas que incluem o título dos Jogos da Juventude Brasília 2025, onde também quebrou o recorde da competição. Pelo conjunto da temporada, ele será homenageado no Prêmio Brasil Olímpico, maior honraria do esporte nacional, um reconhecimento que consolida o novo ciclo de atletas formados com apoio direto do Estado.
A mãe e treinadora, Maria Aparecida, reforça que esse avanço só se tornou possível porque Mato Grosso decidiu investir não apenas nos atletas adultos, mas também na base.
“Essa bolsa do Estado tem ajudado não só os treinadores, como também os atletas. Aqui a gente tem o privilégio de ter jovens de 11, 12 anos beneficiados, e isso motiva tanto os técnicos, que passam a ter seu trabalho reconhecido, quanto os atletas, que querem cada vez mais se tornar nomes de ponta no Brasil e no mundo”, explica Maria.
Ela destaca ainda o impacto do Prêmio Olímpicos, iniciativa que valoriza atletas e treinadores que alcançam competições internacionais. “Eu fui contemplada quando minha atleta foi para Paris, e ela também. Esse incentivo do Governo do Estado tem contribuído muito para o esporte, não só no atletismo, mas em todas as modalidades. Somos imensamente gratos pelo trabalho que o governo vem fazendo, e esperamos que as próximas gestões sigam apoiando o esporte em Mato Grosso.”
Para Beto Corrêa, o objetivo central é possibilitar que atletas consigam viver do esporte. “Quando o Estado investe em um atleta de base, muitas vezes sem estrutura financeira para continuar treinando, reafirma a convicção de que o esporte transforma realidades. Ao mesmo tempo, fortalecemos toda a estrutura do ciclo de formação, da iniciação ao alto rendimento.”
O legado que Maria construiu não termina nela, ele floresce em Davi, que carrega consigo o compromisso de inspirar a nova geração. Quando fala com crianças e adolescentes que sonham em viver do esporte, o jovem é direto:
“Eu diria para seguirem seus sonhos com determinação, resiliência e fé acima de tudo. Sou prova viva de que o esporte traz lições e momentos maravilhosos para a nossa vida. O preço é alto, mas nunca alto demais para quem deseja isso com todo o coração e tem Deus como Aquele que fortalece todos os dias.”
A história dos dois, mãe e filho, treinadora e atleta, pioneira e promessa, mostra como políticas públicas, quando bem executadas, transformam trajetórias. De Paris aos Jogos da Juventude, do salto triplo ao pódio mundial, Mato Grosso vê nascer uma geração que carrega técnica, disciplina, propósito e oportunidade. E é dessa combinação que surgem os campeões.
Da pista ao tablado
Se no atletismo Mato Grosso vive um ciclo histórico, na ginástica rítmica o movimento não é diferente. A modalidade, conhecida pela precisão, musicalidade e alto nível de exigência técnica, também sente os impactos diretos das políticas de incentivo do Estado. À frente deste desenvolvimento está Flávia Zelinda Fernandes, treinadora e presidente da Federação Mato-grossense de Ginástica, que vê no Bolsa Técnico um divisor de águas para a evolução da modalidade.

Segundo Flávia, o apoio financeiro transformou a qualidade do trabalho no dia a dia. “A bolsa permite trazer inovações, novas possibilidades de treinamento. Na ginástica rítmica, estar atualizado é fundamental. A cada quatro anos as regras mudam, erratas surgem, e isso impacta diretamente no planejamento das aulas, no que e como deve ser ensinado”, explica.
Antes do incentivo, a participação em campeonatos e cursos de formação era o maior desafio, custos altos e poucas oportunidades de capacitação limitavam o crescimento da modalidade. “A bolsa ajuda muito nisso, tanto para competir quanto para ir a cursos nacionais e internacionais.” Com o benefício, Flávia conseguiu ampliar sua formação, adquirir novas ferramentas de treinamento e levar suas equipes a um número maior de competições, experiência fundamental para o desenvolvimento esportivo.
“A possibilidade de atualização constante é o que garante a continuidade e qualidade do trabalho. Seria ótimo se o programa criasse também um canal de troca entre os treinadores contemplados, para que compartilhassem experiências e levassem isso aos seus projetos”, sugere.
Além dos aspectos técnicos, Flávia destaca o impacto emocional do trabalho. “É uma grande responsabilidade e um grande desafio. Às vezes, mesmo querendo consolar, é preciso ser firme. E isso exige que eu cuide da minha saúde mental para contribuir na formação da ginasta.” O que mais a emociona é a persistência diária das atletas: “A perseverança necessária em cada treino é inspiradora. Ver a atleta voltar todos os dias com mais vontade me obriga também a melhorar e aprender.”
Entre essas atletas está Maria Eduarda Mendes Alexandre, estudante e destaque da ginástica rítmica estadual. Para ela, a modalidade é sinônimo de dedicação e realização: “Mesmo com todo o esforço, é um sonho que realizo todos os dias.” Receber o Bolsa Atleta foi, segundo Maria Eduarda, um momento marcante. “Fiquei extremamente feliz. O bolsa ajuda muito nas viagens, nos equipamentos e até na nossa saúde.”

A jovem atleta reconhece que nem sempre o caminho é simples. “Não ir bem em uma competição é uma das piores sensações. Você trabalha o ano todo para mostrar seu melhor e, quando não acontece, é frustrante.” Ainda assim, o amor pelo esporte e o desejo de evolução a movem diariamente.
Com o apoio do Estado, ela conseguiu aumentar sua regularidade nos treinos, adquirir material de maior qualidade e participar de mais eventos, como o Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica Illona Peuker, em Cuiabá, onde só conseguiu competir graças aos recursos do programa.
“Lesões e dores fazem parte da vida de um atleta”, diz Maria. “Mas meu maior sonho é evoluir cada vez mais, alcançar minhas metas e me orgulhar do que conquistei.”
A mãe da atleta, a arquiteta Isabela Flores, lembra que a rotina esportiva sempre exigiu renúncia não só da filha, mas de toda a família. “A trajetória de atleta sempre exigiu muita dedicação. A rotina de treinos e competições é intensa, e os desafios financeiros pesam. Muitas vezes precisamos abrir mão de várias coisas para que ela pudesse viajar ou comprar equipamentos”, relata.
Com o Bolsa, parte desse peso foi aliviado. “As passagens, inscrições e materiais esportivos são muito caros. O programa ajuda muito nesses custos que, antes, ficavam quase totalmente por conta da família”, explica.
Mais do que os resultados, Isabela se emociona com a pessoa que a filha está se tornando: “Sou muito feliz pela atleta, mas ainda mais pela pessoa que ela está se formando: disciplinada, responsável, determinada. A ginástica moldou tudo isso nela.”

Para além da execução técnica e do planejamento pedagógico, a trajetória de Flávia Zelinda Fernandes também é marcada por resiliência. Ao olhar para sua caminhada como treinadora e gestora, ela destaca que seu maior orgulho está justamente na capacidade de permanecer, mesmo quando parecia impossível continuar.
“Tenho muito orgulho de não ter desistido, mesmo nos momentos em que não conseguia visualizar que daria certo. Ser perseverante e resiliente me ajudou a levantar a cabeça nas horas em que as coisas não funcionaram e a manter a humildade nos melhores momentos, porque ambos são passageiros”, reflete.
Formar atletas, segundo ela, vai muito além de ensinar técnica, ritmo e expressão corporal. É também sobre inspirar seres humanos. E é justamente esse compromisso com o desenvolvimento integral das jovens ginastas que faz com que Flávia veja o Projeto Olimpus como uma ferramenta transformadora. O impacto, para ela, vai muito além da quadra.
“Quando a primeira atleta da ginástica foi contemplada, eu chorei de gratidão. Hoje são sete, seis da rítmica e uma da artística. Saber que o projeto auxilia essas meninas e suas famílias na construção do sonho de ser atleta de alto rendimento é simplesmente espetacular”, relata.
Flávia sabe que, para muitas delas, o incentivo não representa apenas a possibilidade de competir, mas sim a chance real de permanecer no esporte, crescer, amadurecer e vislumbrar um futuro que antes parecia distante.

Um grande evento transforma uma modalidade inteira
O crescimento da ginástica no estado ganhou um novo capítulo quando Cuiabá recebeu, no Ginásio Aecim Tocantins, o Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica de Conjunto e o Festival Gym Brasil. O evento, que reuniu mais de mil atletas de todo o país, só foi possível graças ao apoio do Governo de Mato Grosso, por meio da Secel.
Para a treinadora e presidente da Federação Mato-Grossense de Ginástica, Flávia Zelinda, sediar o maior campeonato da modalidade no país foi um divisor de águas, tanto para a instituição quanto para o esporte local.
“A confiança depositada pela Confederação Brasileira de Ginástica na nossa capacidade de realização fez tremer a espinha, mas também reconheceu todo o trabalho que estamos fazendo para fomentar a ginástica no estado”, afirma.
Flávia destaca que o apoio contínuo da Secel tem sido fundamental para a expansão da modalidade, com mais crianças ingressando na ginástica rítmica e artística e mais municípios interessados em implementar projetos.
A presença do conjunto juvenil do Colégio Regina Pacis, de Sinop, reforçou ainda mais a importância social do projeto: das seis atletas da equipe, cinco são beneficiadas pelo Bolsa Atleta do OlimpusMT, um retrato do impacto direto da política pública no desenvolvimento esportivo da base mato-grossense.
Além da estrutura e da organização, o evento proporcionou às atletas uma vivência que poucas têm a oportunidade de experimentar tão cedo.
“Elas viveram o que uma atleta sente em mundiais e Olimpíadas: mídia, autógrafos, fotografias, entrevistas, e suas séries sendo vistas no mundo inteiro”, conta Flávia. Para muitas, isso significou não apenas visibilidade, mas a certeza de que seus sonhos têm tamanho real.
Do ponto de vista técnico, o campeonato também marcou um avanço decisivo para Mato Grosso. “Ficou comprovada a nossa capacidade de organizar grandes eventos e também o nível técnico das nossas atletas para ocupar esse espaço. Hoje, para quem pratica ginástica rítmica no estado, estar em uma final de Brasileiro já é uma realidade”, destaca.
O reflexo foi imediato: a procura por aulas aumentou, novos profissionais buscaram capacitação, e crianças que acompanharam as apresentações, presencialmente ou pela transmissão nacional, passaram a buscar academias e projetos da modalidade. Um verdadeiro movimento de expansão.
Para Flávia, porém, o impacto não é apenas institucional. É também profundamente pessoal. “A realização do Campeonato Brasileiro em Cuiabá colocou definitivamente Mato Grosso no mapa da ginástica do país. Foram meses de muito trabalho e ver que deu tudo certo é muito gratificante. É um sentimento de dever cumprido com louvor”, relata.
Com eventos dessa magnitude, incentivo financeiro aos atletas, capacitação técnica e políticas públicas estruturantes, Mato Grosso vive um momento histórico na ginástica. Um ciclo que alimenta sonhos, forma novas gerações e reafirma o papel do Estado como impulsionador do esporte que transforma vidas.

A participação no Campeonato Brasileiro em casa também marcou profundamente quem esteve no tablado. Entre as atletas beneficiadas pelo Bolsa Atleta está Maria Eduarda Mendes, que também viveu um dos momentos mais especiais da sua trajetória esportiva.
“Me sinto muito feliz. Nosso estado, apesar de ainda pequeno na modalidade, vem crescendo muito na ginástica, e o governo tem apoiado muito isso. Foi incrível competir um campeonato tão grande em casa, com tanta torcida”, conta.
Para ela, além da experiência técnica, o evento representou um marco coletivo. “É uma oportunidade de o país ver o quanto a ginástica de Mato Grosso está crescendo. E para meninas menores que participaram da abertura ou assistiram, é inspirador. Elas veem e acreditam que também podem chegar lá”.
A mãe da atleta, Isabela Flores, também acompanha cada etapa dessa jornada, dos treinos ao orgulho de ver a filha evoluir. Ela lembra que a ginástica entrou cedo na vida de Maria Eduarda e nunca saiu.
“Foi um sonho de criança que virou o mundo dela. Ela fez amigas, conheceu lugares, aprendeu com pessoas diferentes e se realizou como atleta”, diz. A rotina, admite, é intensa e exige entrega familiar: conciliar estudos, treinos, viagens e os custos que, muitas vezes, recaíam inteiramente sobre os pais antes do Bolsa Atleta. “A família participa de tudo: levar e buscar, viajar junto, vibrar e sofrer com ela. Sonhamos juntas todos esses anos.”
Entre tantas memórias, uma delas ficou marcada: o terceiro lugar no JEBS 2022, no Rio de Janeiro. “As meninas estavam no hotel, prontas apenas para assistir ao último dia, quando a Flávia contou que, pela somatória das notas, elas tinham conquistado a colocação. Todas venceram juntas”, relembra Isabela.
Hoje, com mais estrutura e incentivo, a esperança da família é simples e poderosa: “Que ela continue treinando, competindo e evoluindo sempre”.
Esse ciclo de apoio, resultados e inspiração revela como políticas públicas, grandes eventos e histórias pessoais constroem, juntas, uma nova realidade para a ginástica em Mato Grosso, uma realidade em que meninas se veem capazes, famílias se fortalecem, e a modalidade se projeta nacionalmente.

Quando o incentivo encontra o talento, nasce um futuro inteiro
Do salto de Lissandra em Paris ao desempenho das ginastas da GR no Aecim Tocantins; das marcas alcançadas por atletas da base à rotina diária de treinadores e famílias, Mato Grosso atravessa um período de fortalecimento esportivo sustentado por políticas públicas, estrutura e continuidade de investimento.
O estado, que por anos esteve distante do centro das grandes disputas nacionais, passou a registrar resultados mais consistentes, impulsionado por projetos que organizam e ampliam o acesso ao esporte.
O Bolsa Atleta, o Bolsa Técnico e o Projeto Olimpus têm operado como mecanismos de apoio que atingem diferentes etapas da formação esportiva. São iniciativas que viabilizam desde o ingresso de crianças em modalidades olímpicas até a permanência de atletas de alto rendimento em competições qualificadas.
Para técnicos, os programas oferecem estabilidade mínima para atualização profissional e manutenção de equipes. Para famílias, representam respaldo financeiro que reduz a evasão e permite planejamento a longo prazo.
Com o crescimento do interesse pelos programas, Beto Corrêa afirma que o momento é de aperfeiçoamento e ampliação. “O interesse pelo Projeto Olimpus cresce a cada ano, o que demonstra a solidez do programa. Os desafios têm se mostrado administráveis, e nosso foco agora é aperfeiçoar a integração com municípios e entidades esportivas para que as políticas cheguem de forma homogênea a todas as regiões.”
Os investimentos feitos pelo Estado têm mostrado retorno mensurável, aponta o secretário.“Em 2022, por meio do Projeto Olimpus, apoiamos 210 atletas de diversas modalidades. Em 2025, a expectativa é atender 379 atletas de alto rendimento. Esses números mostram a expansão contínua do programa e o fortalecimento do cenário esportivo mato-grossense.”
Em 2024, o Projeto Olimpus destinou mais de R$ 12 milhões em incentivos, contemplando atletas, técnicos e projetos em diversas regiões do Estado. No mesmo período, o Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico somaram mais de 540 beneficiados, com impacto direto no desempenho das modalidades.
O Estado também tem atuado para ampliar o acesso ao esporte em comunidades vulneráveis e regiões distantes. “Temos convênios com prefeituras, apoio a projetos sociais e escolares, fortalecimento do paradesporto e publicação de editais com abrangência estadual. O edital Pontos de Esporte e Lazer é hoje a principal ferramenta para fomentar projetos esportivos de base desenvolvidos por organizações sociais.”
O secretário ressalta que, em 2025, o edital destinou R$ 2 milhões a cerca de 50 projetos, contemplando modalidades diversas, de atletismo a skate, do futebol ao paradesporto.
Beto Corrêa também reforça que a descentralização tem sido prioridade.“Por meio de parcerias com federações e convênios com municípios, temos fortalecido a interiorização do esporte, levando eventos, competições e apoio a diferentes regiões.” Ele cita exemplos como o projeto de taekwondo atendendo crianças e jovens no distrito de Entre Rios, em Nova Ubiratã, e a Associação Centro América de Karatê Shotokan, que atua em diversos polos da capital.
No atletismo, Mato Grosso voltou a uma Olimpíada depois de 28 anos com Lissandra Campos. Na base, Davi Souza encerrou 2025 como vice-líder sub-18 da temporada no salto triplo, enquanto a ginástica rítmica ampliou número de projetos, praticantes e resultados nacionais.
A realização de eventos de grande porte também contribuiu para consolidar o ambiente esportivo. O Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica, sediado no Aecim Tocantins, reuniu mais de 1.400 atletas, movimentou a economia, garantiu visibilidade e reforçou a capacidade de Mato Grosso em receber competições de alto nível.
Hoje, cinco atletas do conjunto juvenil de Sinop já integram o Bolsa Atleta, reflexo de uma política de estímulo que começa a mostrar efeitos na formação. Com Mato Grosso sediando eventos de porte nacional, Beto Corrêa avalia que o impacto ultrapassa o ambiente competitivo. “A realização de grandes eventos melhora a visibilidade do Estado e inspira novos praticantes. É estratégico usar essas competições para consolidar redes e deixar legado em infraestrutura e capacitação.”

Os dados indicam que O Estado vive uma fase de expansão esportiva sustentada por planejamento, investimento público e resultados mensuráveis. O cenário aponta para crescimento contínuo, condicionado à manutenção das políticas, ampliação de infraestrutura e fortalecimento do trabalho de base.
O secretário avalia que Mato Grosso seguirá avançando no fomento ao esporte.“Temos avançado de forma consistente nos investimentos. A expectativa é que as ações sejam cada vez mais difundidas e comunicadas à população, fortalecendo o engajamento, ampliando a participação e consolidando uma cultura esportiva presente em todas as regiões.”
O Governo de Mato Grosso está realizando o maior investimento da história do estado no esporte por meio do Projeto Olímpus MT. Ao todo, foram aplicados R$ 381,4 milhões, beneficiando diretamente 1.734 atletas e 99 técnicos. Mais de 800 paratletas também foram contemplados pelo programa, que conta ainda com 82 pontos de esporte distribuídos por todo o estado.
Mais do que medalhas, o que se observa é a consolidação de um ambiente que oferece condições mais equilibradas de desenvolvimento. Um esporte que se estrutura, avança e passa a ocupar lugar mais visível no contexto nacional.













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