A Fórmula 1 nunca foi tão feminina (ainda bem)

A Fórmula 1 nunca foi tão feminina (ainda bem)
Crédito: Shutterstock

Por décadas, a Fórmula 1 foi um território de vozes graves e comentários cheios de termos técnicos que mais pareciam senhas secretas para um clube exclusivo. Nas arquibandas, nos paddocks e atrás da TV, o cenário era sempre o mesmo: homens discutindo estratégias e mulheres reduzidas ao papel de figurantes bonitas e glamurosas, sorrindo para as câmeras (e não me entenda mal, adoro ser bonita e glamurosa).

Mas, de repente, algo mudou e não foi só na pista. O ronco dos motores encontrou o ritmo frenético de uma nova rede social que impactaria o mundo: o Tik Tok. Em vídeos de 30 segundos, pilotos viraram protagonistas de trends, memes e análises. E, num (longo e demorado) piscar de olhos, uma nova geração de fãs, em sua grande maioria mulheres, começou a ocupar um espaço que, por muito tempo, parecia inacessível.

Não foi só sobre carros. Foi sobre narrativa. Enquanto antes tornava-se a “linguagem da pista” inacessível, agora há vídeos e mais vídeos de mulheres explicando sobre Fórmula 1 para outras mulheres. Uma dando a mão para a outra. De repente, Max Verstappen e Charles Leclerc (meu pré-destinado) estavam dividindo espaço com comentários engraçados e análises profundas, porque, convenhamos, os dois podem coexistir.

E esse movimento não ficou só nas redes. Arquibancadas começaram a ganhar novas cores, transmissões ganharam novos públicos e marcas correram (literalmente) para se adaptar. É curioso: por anos, a Fórmula 1 tentou se vender como um espetáculo masculino, mas quem mudou o jogo foram criadoras de conteúdo que transformaram as corridas em uma história digna de maratona (pegou meu senso de humor peculiar?).

Há, como sempre, quem ainda torça o nariz. Alguns insistem em dizer que as novas fãs “não entendem de corrida”, como se amor por um esporte precisasse de manual. A gente conhece o discurso, ele é sempre o mesmo, só muda de roupagem. Mas… se a Fórmula 1 sempre foi sobre ultrapassagem arriscadas, talvez a maior delas esteja acontecendo fora das pistas: a de uma geração que não só consome, mas reinventa a forma de torcer.

E reclamem o quanto quiserem, ainda estaremos lá, pois esse espaço também é nosso agora.

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