Jogador foi premiado pela FMEU após campanha decisiva no estadual e relembrou desafios, rotina intensa e apoio dentro da universidade.
O goleiro Juan Anthony Rodrigues de Nazareth foi eleito o melhor atleta de futsal universitário de 2025 na premiação da Federação Mato-grossense de Esportes Universitários (FMEU), realizada no dia 27 de abril, em Cuiabá. Campeão estadual com a UFMT, ele teve papel decisivo na conquista e foi reconhecido pelo desempenho ao longo da competição.

Além do destaque individual, a UFMT também encerrou a premiação com o primeiro lugar no Troféu Eficiência, que avalia as instituições que mais incentivaram o esporte universitário no estado.
A conquista, no entanto, não veio de forma simples e a trajetória até o título ajuda a explicar o peso do reconhecimento recebido pelo goleiro.
De dúvida à decisão
A final do estadual, contra a Faipe, reuniu um cenário pouco favorável para a UFMT. O adversário vinha de vice-campeonato mundial universitário e havia goleado a equipe cuiabana por 6 a 1 ainda na fase de grupos.
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Dentro do próprio time, a confiança também não era unanimidade. Reserva durante boa parte do torneio, Juan ganhou oportunidade justamente na decisão. “Meu time inteiro, inclusive o técnico, duvidou de mim na final. E eu também cheguei a duvidar”, contou.
O jogo acabou decidido nos detalhes, em uma disputa longa de pênaltis.
“Foi uma final muito difícil, com quase 40 pênaltis cobrados”, relembrou.
Foi nesse contexto que o goleiro passou de aposta incerta a peça fundamental no título ,algo que ele próprio levou um tempo para assimilar. “Depois eu comecei a me questionar se realmente merecia. Aí fui lembrando da nossa preparação, das minhas defesas. Naquele momento, eu só estava fazendo o que precisava ser feito. O prêmio veio como uma confirmação de que eu fui importante e decisivo para a UFMT ser campeã”, afirmou.
Segundo Juan, o reconhecimento teve um significado que vai além do desempenho dentro de quadra.
“Foi uma sensação de alívio e de confirmação, de saber que tudo que eu fiz valeu a pena e que eu mereci.”
Um sonho construído aos poucos
Representar a UFMT no futsal não era apenas um objetivo recente. Desde o início da graduação, o goleiro já carregava esse desejo, mesmo sem conhecer o cenário do esporte universitário. “Eu nem sabia quais campeonatos existiam, mas tinha esse sonho de jogar pela universidade”, confessou.
Mesmo diante de dúvidas e da falta de oportunidades no começo, ele manteve o foco.
“Quando você sonha grande, é difícil qualquer situação derrubar isso. Eu sabia que uma hora ia conseguir.”

Nesse processo, o apoio dentro da própria universidade foi determinante, especialmente da Atlética Infernal, ligada ao curso de Comunicação Social (COS). “Meus amigos sempre me incentivaram, diziam que eu tinha capacidade. Isso foi importante para eu ir construindo minha confiança aqui dentro.”

Rotina intensa e escolhas necessárias
Para transformar o sonho em realidade, Juan precisou lidar com uma rotina exigente fora das quadras. A conciliação entre estudo, trabalho e treinos exigiu organização constante. “De manhã eu ia para a aula, à tarde para o estágio e à noite treinava. Meu dia já era bem definido, então eu me organizava em cima disso”, explicou.
A estratégia era simples: antecipar tarefas e planejar o dia seguinte para evitar acúmulos.
“Eu tentava adiantar coisas da faculdade no estágio e já pensava no que precisava fazer no outro dia. Isso ajudava a não ficar tão pesado.”
Mesmo assim, algumas renúncias foram inevitáveis ao longo do caminho. “Eu tive que abrir mão de algumas coisas, principalmente da vida social e, em alguns momentos, da produtividade no trabalho. Quando você tem um objetivo, precisa escolher prioridades.”
Preconceito e resistência no esporte
Fora da rotina esportiva, outro desafio acompanhou a trajetória do goleiro. Atleta LGBT+ no futebol masculino, Juan conviveu com episódios recorrentes de preconceito ao longo da carreira. “A minha vida inteira foi marcada por isso. Quando queriam me ofender, sempre usavam esse lado para tentar me desestabilizar”, relatou.
Segundo ele, as situações se intensificaram quando a equipe da Comunicação passou a se destacar nas competições universitárias.

“As outras atléticas não aceitavam que a Comunicação tivesse um time forte. Quando começamos a ganhar, vieram xingamentos. Até meus amigos héteros passaram por isso também.” Apesar do cenário, ele destaca que encontrou suporte dentro da própria universidade para seguir: “Eu sempre tive uma base muito forte, principalmente com os times femininos da UFMT e a Atlética Infernal. Isso fez muita diferença.”
Mais do que relatar os episódios, o goleiro reforça a necessidade de enfrentamento: “Se alguém te atacar, você precisa reagir, não ficar calado e buscar apoio. Porque isso não vai deixar de acontecer.”
Mais que um título, uma mensagem
Com o prêmio individual e o título estadual, Juan encerra a temporada com a sensação de dever cumprido ,e com uma mensagem clara para quem pretende seguir no esporte universitário.
“Se você gosta de jogar, se você tem o sonho de representar sua universidade, então tente. Pode ser que não dê certo de primeira, mas com resiliência uma hora acontece.”
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